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quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

SONETO X/XII - INVERNO: ALLEGRO NON MOLTO


Os prazeres se esvaindo diluem,
Num correr ondas de baixa-mar,
O que restou de aprender e amar:
São sonhos e quimeras que ruem.

Cada delícia de outrora é má,
E polui a saudade sem perdão,
Consome a memória de emoção,
Pois pouca novidade agora há.

Engodo de certezas que sou eu,
Clama pela dúvida qualquer
Que minore o sofrer se puder.

Da mesma forma que a alma morreu,
Encontra-se este meu corpo vil
Sem as forças que eram mais de mil.
Belo Horizonte, 3 de agosto de 1996.

SONETO XI/XII - INVERNO: LARGO


Vê-se a morte, encontra-se este último prazer,
Alegria final de quem vive no que aprende,

E encontra o nada, que da salvação depende,
Onde, em geral, a esperança tende a jazer.

Nada mais resta, para esta vida malsã,
Que morte inglória daquele que tudo sabe,
Mesmo que não há Deus, e nenhum apelo cabe,
Morre feliz, na alegre certeza pagã.

Porque parei de aprender, eu morro feliz,
E porque fui o mesmo por quase dois segundos.
É sem receio que cruzo a ponte entre tais mundos:

Qual de certeza, tédio este que eu nunca quis,
Tal de dúvida, último prazer sempre incerto,
Esta alegria, novidade que está mais perto.
Belo Horizonte, 2 de agosto de 1996.

SONETO XII/XII - INVERNO: ALLEGRO


Acabou tudo, tudo mesmo.
Nem o alívio, nada mais resta.
Havendo algo, luz, uma fresta,
Não é morrer, porém viver a esmo.

Não há qualquer sinal, sensação,
Nenhuma ciência existe mais,
Nem enseada, nem outro cais;
Caos de querer, de sim, de não.

Ainda bem! Era o meu desejo.
O desejo também morreu,
E não sei nem se sou mesmo eu.

Ainda bem! Aproveito o ensejo,
Não questiono agora mais nada:
Não há questão certa, nem errada.
Ouro Preto, 6 de agosto de 1995.

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

SONETO X/XII - WINTER: ALLEGRO NON MOLTO


The pleasures if wasting dilute,
In one to run ebb tide waves,
What it remained to learn and to love:
They are dreams and chimeras that fall.

Each delight of long ago is bad,
And spots the homesickness without pardon,
Consumes the emotion memory,
Therefore little new development now has.

Decoy of certainty that I am,
Cries out for the doubt any
That minors suffering if will be able.

In the same way that the soul died,
This meets my vile body
Without the forces that were more than a thousand.

SONETO XI/XII - WINTER: LARGO


It is seen death, meets this last pleasure,
Final joy of who lives in that it learns,
And finds the nothing, that of the salvation depends,
Where, in general, the hope tends to lie.

Nothing more it remains, for this unhealthy life,
That death without glory of that everything knows,
Exactly that does not have God, and none I appeal fits,
Dies happy, in the glad certainty without baptism.

Because I stopped to learn, I happy mount,
And because I was the same per almost two seconds.
It is without distrust that I cross the bridge between such worlds:

Which of certainty, disgust this that I never wanted,
Such of doubt, last always uncertain pleasure,
This joy, new development that is more close.

SONETO XII/XII - WINTER: ALLEGRO


It finished everything, everything exactly.
Nor the relief, nothing more remains.
Having something, light, an opening,
It is not to die, however to live at random.

Not it has any sign, sensation,
No science exists more,

Nor cove, nor another wharf;
Chaos of wanting, of yes, of not.

Still well! It was my desire.
The desire also died,
And I do not know nor if I am same.

Still well! I use to advantage
I try it, I do not question more nothing now:
It does not have certain question, nor made a mistake.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

L'Inverno

Vivaldi
Aggiacciato tremar trà nevi algenti
Al Severo Spirar d’orrido Vento,
Correr battendo i piedi ogni momento;
E pel Soverchio gel batter i denti;

Passar al foco i di quieti e contenti
Mentre la pioggio fuor bagna ben cento;
Caminar Sopra’l giaccio, e à passo lento
Per timor di cader gersene intenti;

Gir forte Sdruzziolar, cader à terra,
Di nuovo ir Sopra ‘l giaccio e correr forte
Sin ch’il giaccio Si rompe, e Si disserra;

Sentir uscir dalle ferrate porte
Sirocco, Borea, e tutti i Venti in guerra
Quest’è ‘l verno, mà tal, che gioja apporte.


Inverno: VAN DE VENNE, Adriaen Pietersz.
Óleo, 37,5 x 15 cm, 1625.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

O Inverno – Concerto Nº 4 em Fá Menor


O primeiro movimento corresponde à primeira estrofe. O segundo, bem curto, prende-se apenas aos dois primeiros versos da segunda quadra. Os demais versos estão vinculados ao terceiro, desenvolvendo-se em crescendo cuja interpretação aceita algum otimismo. Esse concerto foi concebido para ser interpretado na igreja, portanto toda a orquestra toca em surdina a maior parte do tempo, como a não querer perturbar os fiéis. Em O Inverno, podemos sentir a imagem de alguém tremendo sem parar sobre a neve, castigado pelo severo soprar do vento cortante, a sensação de correr batendo os pés a todo o instante e o bater dos dentes em um frio intenso. Em seguida, o aconchego de ficar ao fogo, quieto e satisfeito, enquanto a chuva do lado de fora a tudo banha, pode ser perfeitamente sentido pelo doce e expressivo solo de violino do segundo movimento, e também pelo pizziccatto da orquestra imitando a chuva. O terceiro movimento sugere o caminhar sobre o gelo, a passos lentos, com medo de cair, o caminhar com mais decisão e cair sobre a terra, novamente, ir sobre o gelo e correr forte, sem que o gelo se rompa. Ao final podemos sentir, apesar do frio, dos ventos e da neve, uma alegria talvez fatal.
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